Vultos e Reflexões

Yvone A.Pereira O passaro e a oração
Amelie G. Boudet Ninguem morre antes da hora
José Herculano Pires Muitos os escolhidos e poucos os chamados
Anália Franco O mestre e o discípulo.
. Escolha das provas, é possível?
   
   
   

 

 

 

Yvonne A. Pereira

Infância conturbada

Yvonne A. Pereira era humilde, terna, vivaz e extremamente sincera. Nasceu na Vila Santa Teresa, em Valença, Rio de Janeiro, no dia 24 de dezembro de 1900. Seus pais, ambos espíritas, foram Manuel José Pereira Filho e Elisabeth do Amaral Pereira. Ao completar um ano de idade, a menina entrou em estado cataléptico (morte aparente) e quase foi enterrada viva. Sua infância foi povoada de grandes fenômenos espíritas. Muitos deles narrados em seus livros, em especial Recordações da mediunidade.

A visão do espírito de seu pai em uma vida pregressa a marcou muito, a ponto de Yvonne não reconhecer como verdadeiro o pai da última encarnação. Aquele espírito a acompanhou durante toda sua infância, que foi um período bastante problemático em virtude de suas visões. Outro espírito também muito presente foi o de Roberto Canelejas, com quem ela conversava freqüentemente.

Yvonne chorava muito e tinha verdadeiras crises nervosas provocadas pela saudade que sentia desses espíritos. As freqüentes recordações de suas vidas passadas era um problema para a família. Durante sua infância, assistia a sessões mediúnicas feitas em sua casa. Nessas ocasiões, habituou-se às comunicações com o dr. Bezerra de Menezes.


Mediunidade

Yvonne era dotada de vários tipos de mediunidade: psicografia, psicofonia, efeitos físicos e de cura (que exerceu por 54 anos e meio, dando receitas homeopáticas e aplicando passes). Durante todo esse tempo, dedicou-se com total abnegação à cura de obsessões.

Psicógrafa de alta sensibilidade, Yvonne deixou, entre outras obras, Ressurreição e vida (Tolstoi); Nas terras do infinito (Bezerra de Menezes e Camilo Castelo Branco); Amor e ódio (Charles); Dramas da obsessão (Bezerra de Menezes); Sublimação (Tolstoi e Charles); e o notabilíssimo Memórias de um suicida - seu primeiro livro psicografado -, que, recebido de Camilo Castelo Branco em 1926, só foi publicado em 1956.

Suicidas

Sua tarefa junto àqueles que atentaram contra a própria vida resultou do fato de Yvonne vir de uma existência na qual havia cometido suicídio. Para ela, o trabalho desempenhado através de sua mediunidade não era missão, mas uma forma de reparar o ato desesperado do passado.


Timidez e humildade

Yvonne era arredia à publicidade. Dificilmente alguém a colocaria diante de uma câmera de televisão. Em 1972, porém, foi feito um pequeno filme de trinta minutos em uma praça vizinha de sua casa e ela também deu uma entrevista de meia hora para o rádio. Nessa ocasião, inspirada pela Espiritualidade, a querida médium afirmou que quem desejar conhecer a legítima Doutrina Espírita deverá ler Kardec, Denis, Delanne e Bozzano.

Seu desencarne deu-se na noite de 9 de março de 1984, em conseqüência de uma trombose durante uma cirurgia no Hospital da Lagoa, no Rio de Janeiro. Tinha então 83 anos e era solteira.
RIZZINI, Jorge. Kardec, irmãs Fox e outros. 2. ed. ampliada,


 

Amelie Gabrielle Boudet

Educadora e intelectual

No dia 23 de novembro de 1795, nasceu em Thiais - comuna do Departamento do Val-de-Marne - a doze quilômetros ao sul de Paris, Amélie Gabrielle Boudet. Filha única de Julien Louis Boudet e de Julie Louise Segneat de Lacomb, Amélie aliou desde cedo grande vivacidade a forte interesse pelos estudos. De apurados dotes intelectuais, teve elevada educação moral.

Diplomou-se professora numa Escola Normal em Paris. Segundo Canuto Abreu, em O Livro dos Espíritos e sua tradição histórica e lendária, lecionou também Letras e Belas-Artes. De grande fecundidade intelectual, Amélie escreveu três obras: Contos primaveris (1825), Noções de desenho (1826) e O essencial em belas-artes (1828).

Incentivadora incansável

Amélie Gabrielle Boudet e o circunspecto, polido e reto Hypollite Léon Denizard Rivail - mais tarde conhecido como Allan Kardec - participavam do mesmo meio cultural, o que favoreceu o encontro de suas almas afins. Apesar da diferença de nove anos entre eles, a vivacidade inerente a Amélie se tornou cúmplice desse envolvimento. Casaram-se no dia 6 de fevereiro de 1832. Reafirmavam um amor de vidas passadas, cujo compromisso mútuo de auxílio os religou de maneira tão apropriada.

Seguindo sua formação pestalozziana, Hypollite fundou um Instituto Técnico com base nos métodos de seu professor. Amélie o acompanhou. Era uma fase difícil para a educação francesa, que não tinha o apoio governamental para o ensino primário - o que só se modificou em 1833. Dois anos após, o Instituto cerrou suas portas por dificuldades financeiras. Amélie, como toda grande mulher, deu amplo apoio ao marido. Enquanto ele fazia a contabilidade de estabelecimentos comerciais, ela o auxiliava na preparação dos cursos gratuitos que eles passaram a oferecer em 1835, na própria casa.

Diante de tanta luta e empenho, o casal Rivail restabeleceu sua situação financeira. Hypollite tornou-se bastante respeitado no meio acadêmico, graças às obras pedagógicas adotadas pela Universidade de França e aos cursos públicos de matemática e astronomia, para alunos e professores.


José Herculano Pires

Talento precoce

Nasceu em 25 de setembro de 1914, em Avaré, e desencarnou em 9 de março de 1979, em São Paulo. Filho do farmacêutico José Pires Correa e da pianista Bonina Amaral Simonetti Pires, fez seus primeiros estudos em Avaré, Itaí e Cerqueira César. Revelou sua vocação literária desde que começou a escrever. Aos 9 anos, fez seu primeiro soneto, um decassílabo sobre o Largo São João, da cidade natal. Aos 16 anos, publicou seu primeiro livro, Sonhos azuis (contos), e, aos 18, o segundo livro, Coração (poemas livres e sonetos). Já possuía, então, seis cadernos de poemas na gaveta, colaborava com jornais e revistas da época, da Província de São Paulo e do Rio. Teve vários contos publicados com ilustrações na Revista da Semana e no Malho. Foi um dos fundadores da União Artística do Interior (UAI), que promoveu dois concursos literários, um de poemas pela sede da UAI em Cerqueira César, e outro de contos pela Seção de Sorocaba.
Polivalente e incansável

Mário Graciotti o incluiu entre os colaboradores permanentes da seção literária de A Razão, em S. Paulo, que publicava um poema de sua autoria todos os domingos. Em 1928, transformou o jornal político de seu pai em semanário literário e órgão do UAI. Mudou-se para Marília em 1940 (com 26 anos), onde adquiriu o jornal Diário Paulista e o dirigiu durante seis anos. Com José Geraldo Vieira, Zoroastro Gouveia, Osório Alves de Castro, Nichemja Sigal, Anthol Rosenfeld e outros, promoveu, através do jornal, um movimento literário na cidade e publicou Estradas e ruas (poemas), que Érico Veríssimo e Sérgio Millet comentaram favoravelmente. Em 1946, mudou-se para São Paulo e lançou seu primeiro romance, O caminho do meio, que mereceu críticas elogiosas de Afonso Schmidt, Geraldo Vieira e Wilson Martins. Foi repórter, redator, secretário, cronista parlamentar e crítico literário dos Diários Associados. Exerceu essas funções na Rua 7 de Abril, por cerca de trinta anos.
Escreveu mais de 80 livros de Filosofia, Ensaios, História, Psicologia, Pedagogia, Parapsicologia, Romances e Espiritismo, vários em parceria com Chico Xavier, sendo a maioria inteiramente dedicada ao estudo e divulgação da Doutrina Espírita. Lançou a série de ensaios Pensamento da Era Cósmica e a série de romances e novelas de Ficção Científica Paranormal. Alegava sofrer de "grafomania", porque escrevia dia e noite. Não tinha vocação acadêmica e não seguia escolas literárias. Seu único objetivo era comunicar o que achava necessário, da melhor maneira possível. Graduado em Filosofia pela USP em 1958, publicou uma tese existencial: O ser e a serenidade. De 1959 a 1962, ocupou a cadeira de Filosofia da Educação na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Araraquara.
José Herculano lecionou Psicologia no Instituto Brasileiro de Filosofia, seção São Paulo, do qual foi membro titular. Presidiu o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo de 1957 a 1959. Foi professor de Sociologia no curso de Jornalismo ministrado pelo Sindicato. Foi presidente e professor do Instituto Paulista de Parapsicologia de São Paulo. Organizou e dirigiu cursos de Parapsicologia para os Centros Acadêmicos da Faculdade de Medicina da USP, da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, da Escola Paulista de Medicina e em diversas cidades e colégios do interior. Fundou o Clube dos Jornalistas Espíritas de São Paulo em 23 de janeiro de 1948. O Clube funcionou por 22 anos. Herculano foi membro da Academia Paulista de Jornalismo, na qual ocupou a cadeira "Cornélio Pires" em 1964. Pertenceu também à União Brasileira de Escritores, na qual exerceu o cargo de diretor e membro do Conselho no ano de 1964. José Herculano Pires foi chefe do subgabinete da Casa Civil da Presidência da República no governo Jânio Quadros no ano de 1961, no qual permaneceu até a renúncia do mesmo.
Crítico e racional
Espírita desde a idade de 22 anos, José Herculano - um dos autores mais críticos dentro da Doutrina Espírita - não poupou esforços na divulgação oral e impressa da Doutrina codificada por Allan Kardec, tarefa à qual dedicou a maior parte de sua vida. Com sua linha de pensamento forte e altamente racional, combateu desvios e mistificações. Durante vinte anos manteve uma coluna diária de Espiritismo nos Diários Associados, sob o pseudônimo Irmão Saulo. Durante quatro anos, manteve no mesmo jornal uma coluna em parceria com Chico Xavier sob o título "Chico Xavier pede licença". Foi diretor fundador da revista Educação Espírita, publicada pela Edicel. Em 1954, publicou Barrabás, que recebeu um prêmio do Departamento Municipal de Cultura de São Paulo, constituindo o primeiro volume da trilogia Caminhos do Espírito. Publicou Lázaro em 1975 e, com o romance Madalena, concluiu a trilogia. Traduziu cuidadosamente as obras da Codificação kardecista, enriquecendo-as com notas explicativas de rodapé. Essas traduções foram doadas a diversas editoras espíritas no Brasil, Portugal, Argentina e Espanha. Colaborou com o doutor Júlio Abreu Filho na tradução da Revista Espírita. Ao desencarnar, deixou vários originais inéditos, os quais vêm sendo publicados pela Editora Paidéia.



MUITOS OS CHAMADOS E POUCOS OS ESCOLHIDOS.

Quando o rei entrou para ver os convidados, observou aí alguém que não estava usando o traje de festa. E lhe perguntou: “Amigo, como foi que você entrou aqui sem o traje de festa?”. Mas o homem nada respondeu. Então o rei disse aos que serviam: “Amarrem os pés e as mãos desse homem, e o joguem fora na escuridão.
Aí haverá choro e ranger de dentes”.

Mt, 22:11-13


Ao falar por parábolapara fazer penetrar nas massas a idéia da vida espiritual. Na parábola da festa de casamento, o Mestre compara o reino dos céus, onde tudo é alegria e felicidade, a uma festa.

Ao mencionar os primeiros convidados, ele alude aos hebreus, povo escolhido por Deus para conhecer a sua lei em primeiro lugar. Os profetas, enviados para a tarefa de convidar o povo a seguir o caminho da felicidade, foram mal recebidos. Suas advertências foram ignoradas e alguns, até, foram massacrados. Os convidados que usaram o pretexto de cuidar de seus campos e de seus negócios simbolizam as pessoas que, absorvidas pelos cuidados da vida terrena, tornam-se indiferentes às realidades do espírito.

Antes da vinda do Cristo, exceto os hebreus, todos os povos eram idólatras e politeístas. O povo escolhido por Deus foi o primeiro a praticar publicamente o monoteísmo. A lei de Deus lhes foi transmitida por Moisés e, depois, por Jesus. Desse pequeno foco partiu a luz que se derramaria sobre o mundo inteiro, triunfaria do paganismo e daria a Abraão uma posteridade espiritual “tão numerosa quanto as estrelas do firmamento”.

Repelindo, embora, a idolatria, os judeus negligenciaram a lei moral, limitando-se a uma prática religiosa de exterioridades. Com isso, o mal havia alcançado o auge. A nação estava fragmentada pelas facções e dividida pelas seitas; a incredulidade chegara até o santuário. Foi quando Jesus apareceu, para lembrá-los da observância da lei e revelar-lhes a boa nova da vida futura.

A responsabilidade por esse estado de coisas cabia principalmente aos fariseus, pelo seu orgulho e fanatismo, e aos saduceus, pela sua incredulidade. Jesus os compara com os convidados que se recusam a comparecer à festa de casamento. E quando afirma que, então, o convite seria estendido a todos, bons e maus, ele quer dizer que a palavra seria pregada aos demais povos, pagãos e idólatras, e que estes, aceitando-a, seriam admitidos na festa em lugar dos primeiros convidados.

Não basta, porém, ser convidado. Não basta o nome de cristão para tomar parte no banquete celeste. Antes de tudo, e como condição expressa, é preciso usar o traje de festa, isto é, ter a pureza de coração e praticar a lei segundo o espírito. E a lei está expressa nestas palavras: Fora da caridade não há salvação.


Ninguém Morre Antes da Hora ???

Muitas pessoas se perguntam se era realmente a hora da pessoa desencarnar
Daí a pergunta que muitos fazem: temos pré-determinada a hora de nossa morte? Ninguém morre antes da hora determinada?Temos que analisar dois aspectos importantes.
O primeiro aspecto é o potencial genético do corpo formado.O segundo é o potencial energético do perispírito, pois este último promove a ligação do espírito com o corpo físico, arrastando para esse corpo energias positivas e/ou negativas, de acordo com as suas características evolutivas específicas. Essas energias provocam alterações nos potenciais genéticos e de funcionamento do corpo físico.
Da interação (corpo+perispírito+espírito), temos, teoricamente, estabelecido um potencial de vitalidade ou de energia vital que, em tese, determina um potencial máximo de vida para aquele organismo, ou se quiser simplificar, um tempo máximo de vida orgânica.
Colocamos e destacamos "em tese", pois o exercício do livre arbítrio leva ao perispírito possibilidades de alterar suas características energéticas, com energias positivas ou negativas, o que, por sua vez, altera o potencial de energia vital do complexo humano. Essa alteração pode melhorar ou piorar o potencial de energias vitais.
Da mesma forma, o nosso livre arbítrio também nos leva a utilizar o nosso patrimônio físico, com maior ou menor cuidado com suas necessidades específicas, o que pode gerar um "gasto correto" (econômico) ou um "gasto excessivo" de nossa vitalidade orgânica ou energia vital.
Para melhor explicar isso, vamos exemplificar com o tabagismo (vício de fumar). Estudos e pesquisas internacionais, já muito conhecidas (e reconhecidas), provaram que o consumo de um único cigarro "custa" ao organismo físico o desgaste orgânico equivalente a cerca de 12 a 14 minutos de vida. Isso significa que cada 5 cigarros fumados eqüivalem a "diminuição" de 1 (uma) hora de vida. O que falar então do uso de drogas (tóxicos) e do alcoolismo? Ou ainda da alimentação inadequada, excessiva? Quanto desgaste isso tudo gera ao potencial orgânico?
Fica fácil de entender que a pessoa pode "danificar" seu corpo físico, encurtando seu tempo de vida orgânica em relação ao seu "potencial de vitalidade". Só isso já poria por terra a teoria de que "ninguém morre antes da hora". Quem não cuidar das suas energias no perispírito ( o que está ligado ao equilíbrio espiritual) e do seu corpo físico, diminui seu tempo de vida orgânica, ou seja, "morre antes da hora". Com isso, adquire débito energético, ou seja, necessidade de "resgate" desse "débito" em outra(s) encanação(ões).
Analisando de um ângulo externo ao próprio complexo humano, temos que nos lembrar que todos estamos numa vida de relação, com outros indivíduos e com a natureza. E sofremos as conseqüências disso.
Vamos exemplificar de forma bem direta: uma determinada pessoa resolve ir a uma festa, ingere muita bebida alcoólica, embriaga-se. De forma imprudente, vai voltar para casa dirigindo seu veículo. Em excesso de velocidade, perde o controle do carro, atingindo um ponto de ônibus, onde atropela e mata 3 pessoas, sendo uma criança, um jovem e um adulto.
Essas três pessoas atropeladas estavam na "sua hora de morrer"? Suas mortes estavam "programadas"? Estava escrito? Estava "previsto" na reencarnação de cada um?
É evidente que não, pois em caso contrário não existiria o livre arbítrio, e tudo no mundo seria determinístico, nos tornando meros "robôs" na passagem terrena.
Aquele motorista embriagado ceifou a vida de pessoas que tinham diferentes potenciais de vida, de alguns anos (o adulto) a várias décadas (criança e jovem), e que ainda poderiam viver muito com seu corpo orgânico. As três pessoas "morreram antes da hora".
Não existe uma "programação de morte". Existe um potencial de vida, que pode mesmo ser "estendido" pelo equilíbrio espiritual e respeito e cuidado com o corpo físico, ou ainda, encurtado pelo próprio indivíduo ou por terceiros, que responderão por isso nesta e em outras vidas.
Se as mortes estivessem programadas, cada movimento em todo o mundo estaria programado. Se uma pessoa morre atropelada numa rua, na hora do "pico" do movimento, em São Paulo, por exemplo, e isso estivesse "programado", o atropelador já nasceria com essa "missão", e para ajustar a sincronia entre atropelador e atropelado, todo o trânsito de São Paulo deveria estar "programado", para que todos os envolvidos se encontrassem naquele exato instante.
Cremos que com esses argumentos, evidencia-se que não existe "hora de morte programada".
O que os espíritas devem cuidar é para não se tornarem crentes do determinismo, acreditando numa "programação absoluta da reencarnação", pois isso fere uma verdade basilar - a do livre arbítrio - , sob a qual reside grande parte da filosofia e doutrina espírita.
É preciso estudar um pouco mais a Lei de Causa e Efeito, relacionando isso com o estudo do registro energético do perispírito, de modo a entendermos o correto mecanismo do "resgate e expiação.

Carlos Augusto Parchen
Curitiba, Paraná
junho 2002
Centro Espírita Luz Eterna - CELE


O mestre e o discípulo

Basta ao discípulo ser como o seu mestre e ao servo, como seu senhor.
Evangelho de Mateus


Jesus é o nosso modelo no trabalho de divulgação da boa nova, tarefa que nos
compete como aprendizes de seu Evangelho.
Por essa razão, tudo que pregarmos com as palavras devemos exemplificar com ações e atitu-
des.
Devemos ser calmos, pacíficos, mansos e tolerantes. Não violentemos a consciência de nin-
guém. Não nos percamos no emaranhado das discussões inúteis. Se nos foi concedido plantar algumas sementes, tenhamos em mente que cabe ao Pai fazê-las germinar. Perdoemos de coração todos os que nos perseguirem e zombarem da fé que professamos. Lembremos que Jesus também sofreu perseguições e zombarias. E se assim trataram o Senhor, por que tratariam melhor os seus seguidores?
O Espiritismo ensina a lei da reencarnação e a imortalidade da alma. Prega que não existem tormentos eternos, demonstra o progresso ininterrupto do espírito, estabelece a comunicação entre encarnados e desencarnados. Em suma, explica racionalmente os preceitos de Jesus.
Apesar de encerrar tanta beleza e simplicidade, ainda encontra céticos, perseguidores e detratores. Não tenhamos medo deles. A lei da desencarnação os levará a comprovar no mundo espiritual a verdade dos ensinamentos que repudiaram quando encarnados.
Assim, em toda parte, professemos sempre pela palavra serena – e sobretudo pela vivência edificante – as lições que recebemos de Jesus e que a doutrina espírita veio resgatar e esclarecer.


Fonte: Eliseu Rigonatti. O Evangelho dos humildes, Capítulo X.

 

 

 

 

Escolha das provas, é possível?

 

Recebemos, recentemente, a seguinte pergunta: "pode um espírito escolher, como prova para sua próxima encarnação, ser um criminoso ou praticar o mal?"
Vamos abordar tal questão.
Em o Livro dos Espíritos, Kardec faz uma abordagem geral da escolha das provas, sem no entanto explicitar todas as situações onde isso ocorre e onde isso não ocorre.
A escolha das provas, de maneira livre e consciente pelos espíritos desencarnados, só é possível quando o espírito tem um certo grau de conhecimento, discernimento e qualidades morais para tal.
Na verdade, do modo que os espíritos respondem da questão 258 em diante, bem genericamente, pode-se interpretar, com uma leitura inicial e não aprofundada e complementada pelas outras obras, que todos os espíritos escolhem livre e conscientemente suas provas na erraticidade.
Mas não é isso que está dito, o que é confirmado pela Leitura de O Evangelho Segundo o Espiritismo e das outras obras básicas. O que se pretende dizer é que o Espírito, ao exercitar o livre arbítrio, quer como encarnado, quer como desencarnado, em suas atitudes e trânsito perante as Leis Divinas, estabelece automaticamente para si as suas provações e, portanto as "escolheu" livremente, por sua própria vontade.
Na realidade, não haveria necessidade nenhuma de que os espíritos pudessem, na erraticidade, "escolher" provas e expiações, pois a Lei de Causa e Efeito, a Lei de Ação e Reação, a Lei de Justiça já registraram no perispírito e na mente do espírito as energias e tendências que o farão enfrentar as provas e expiações que necessite passar. Isso é automático e faz parte da justiça Divina e da Lei Natural.
É por isso que só a espíritos um pouco mais esclarecidos é dado a oportunidade de "escolher" suas provas e expiações, mas mesmo assim, é preciso lembrar que o livre arbítrio é inviolável, e que o espírito não lembrará, depois de encarnado, que "escolheu" isto ou aquilo, e poderá tomar atitudes e decisões que levem ao caminho completamente oposto do "escolhido".
Isto é uma verdade peremptória, pois se assim não fosse, nós seríamos "robôs", autômatos", "marionetes", ou seja, teríamos instalado o determinismo, que a Doutrina Espírita tão bem nos explica que não existe.
Infelizmente, muitos espíritas "estudam" espiritismo apenas pela "metade", não estudam o conjunto da obra de Kardec, e tomam romances como livros ou obras básicas, o que não é verdade. O livro "Nosso lar", por exemplo é fantástico, que trouxe novos conhecimentos, mas é um romance, descreve apenas uma situação, uma pequena parte da realidade, que não pode ser extrapolada para todo o plano espiritual. Muitos conhecimentos estão "romanceados", e são, guardadas as devidas proporções, como as parábolas do Mestre Jesus, onde se deve buscar o sentido oculto na alegoria (no "romanceado").
Respondendo objetivamente a pergunta, ninguém pode escolher como prova fazer o mal, pois a pessoa que quer, conscientemente, praticar o mal, tem o mal dentro de si, e enquanto estiver neste estado, não escolherá suas provas e expiações na erraticidade. Elas serão determinadas automaticamente pelo registro energético no perispírito e pelo registro moral na inteligência, ou seja, pelo "karma" daquela espírito.
Pelas conseqüências de sua(s) vida(s) passada(s), ou seja, por sua livre escolha e vontade, pois exerceu o livre arbítrio, o espírito "determina" automaticamente em que condições sociais, econômicas, culturais e com qual patrimônio genético vai reencarnar. Pode nascer num lugar onde exista o mal, e para progredir, terá que vencer as influências, as tendências, as deficiências físicas, etc.
Tudo nos é permitido, pois temos livre arbítrio, mas isso não será determinado pelo espírito na escolha de suas provas lá no plano espiritual, mas sim pelo seu comportamento perante o que vai enfrentar na reencarnação, o que é decorrente do registro das suas infrações ou acertos no trânsito da Lei Divina ou Natural, ou seja, pelas conseqüências de seus débitos ou créditos na caminhada evolutiva.
Assim como Deus não pune ninguém, não aplica castigos, por ser absolutamente desnecessário, pois cada um planta em si mesmo a conseqüência de seus atos, tendo por obrigação a colheita de seus próprios frutos, a "escolha" de um "rol de provas e expiações" também seria completamente desnecessário, até mesmo inútil, pois já estabelecemos em nossa caminhada como será pavimentado e aberto o próximo caminho.
Mas continuaremos com o livre arbítrio de a cada dia traçar novos rumos, abrir trilhas, seguir desvios, sejam elas para crescimento ou para estagnação no erro e no mal.
A Justiça Divina é perfeita, sua lógica irrefutável. Cabe a nós mudarmos paradigmas e abrirmos mentes e corações para analisar essa bela Doutrina que foi codificada por Kardec.
Sem dogmas, sem fanatismo, com muito amor, seguindo a grande máxima: "Espíritas: Amai-vos e Instruí-vos"!


Carlos Augusto Parchen
Centro Espírita Luz Eterna – CELE