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O CASTIÇAL DE TAGIL
Era uma vez
um pobre jardineiro que se chamava Tagil.
Ao regressar do trabalho um dia, avistou um viajante desconhecido que
se achava em perigo ao ser assaltado por dois ladrões. Tagil, alma
nobre e ânimo valente, atirou-se em socorro do viajante e conseguiu
graças a sua coragem, pôr em fuga os dois bandidos. O desconhecido
que era um rico mercador, disse: Meu amigo, devo-lhe a vida e como lembrança
de minha gratidão, quero dar-lhe um presente. Entregou ao jardineiro,
uma pequena caixa amarela de couro lavrado.
Tagil, chegando a casa, abriu sofregamente, cheio de curiosidade, a misteriosa
caixa. Com grande espanto, encontrou somente um castiçal de forma
estranha e de metal escuro e pesado. Ora um castiçal! Exclamou
ele, profundamente decepcionado. Arrisco a vida, luto contra salteadores
e ganho esta droga.! Que vou fazer com isto? Em que poderá melhorar
ou remediar minha vida um simples castiçal.
Tagil atirou para um canto o castiçal abandonado e esquecido como
coisa inútil e desprezível.
Ora, um castiçal!
O certo é que o mísero objeto, rolava de um lado para outro.
Tendo certa vez caído pela janela abaixo, esteve muitos dias ao
relento, perdido no terreiro imundo. De outra feita serviu de calço
a um móvel partido, e por último até de martelo manejado
pelas mãos fortes e calosas de seu dono. Um dia afinal, Tagil oprimido
pelas dificuldades da vida, mudou-se. Levou consigo seus objetos, deixando
apenas sobre uma mesa tosca e suja, como coisa imprestável, o pesado
castiçal com que o presenteara o rico mercador.
Aconteceu que a casa deixada por Tagil, foi ocupada por um músico
de profissão que, ao encontrar o castiçal abandonado, teve
a impressão de se de uma peça digna de atenção.
Cuidando de livra-la do pó e das manchas, que o enfeavam. Notou
que apresentava na superfície da base, certas linhas e figuras
dispostas de modo singular.
Deslumbrado, passou a examinar o desprezado utensílio e verificou
que se tratava de uma verdadeira maravilha. Sem duvida havia ali, a execução
paciente de um artista genial.
Via-se gravado no metal, a figura de uma soberba galera que deslizava
impávida num mar imenso, beijada brandamente pela escumilha das
ondas irrequietas. Inclinando-se um pouco, já a cena era diversa.
Distinguia-se uma bailarina com os seus véus, a dançar no
meio de um lindo jardim. Desviando-se o olhar, notava-se que a bailarina
desaparecia, ocupando-lhe o lugar, uma imponente Mesquita como seus altos
e belos minaretes apontados para o Céu; graças a um reflexo
de luz, via-se ainda um corcel negro a galopar sobre uma montanha de nuvens
de pó.
Tudo isso o genial gravador fizera como buril, na superfície polida
do castiçal. Levado o objeto a varias pessoas, todos o admiravam
e a extraordinária perfeição do original trabalho.
Como é singular o destino das coisas. O que nas mãos de
Tagil era uma peça inútil e sem valor, tornara-se uma verdadeira
preciosidade nas mãos de outro. Porque este com finura, sendo mais
hábil, soube ver as maravilhas que o outro jamais conseguira vislumbrar.
È assim o TESOURO que nos está oculto. Quando tivermos olhos
de ver, sentimento e inteligência para distinguir as coisas e aprecia-las,
seremos como o "certo homem" de que falou Jesus. Teremos iniciado
o descobrimento do grande e precioso tesouro para a conquista do Reino
do Céu em nós mesmos.
E não seremos como o ridículo Tagil da lenda, que não
soube apreciar sequer, a bela jóia material, que lhe foi presenteada
pelo rico mercador.
O TESOURO, são as virtudes, que o espírito vai amealhando
uma após outra. O conjunto dessas virtudes, vai fortalecendo o
caráter e a personalidade do homem. Algumas dessas jóias
que constituem o tesouro são: a humildade, a sabedoria, a persistência
no bem etc.
Há uma condição especial para a aquisição
dessas virtudes. Chama-se FORÇA DE VONTADE. Com ela, acompanha-se
o trabalho que em si já é um tesouro.
(fonte: http://www.techs.com.br/meimei/historias/historia36.htm)
Um dia todinho florido de paz,
todinho perfumado de amor,
todinho feito de luz,
pra vc e pra quem mora no seu coração.
Abraços com carinho
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